segunda-feira, 27 de outubro de 2014

COOPERAÇÃO EXIGE APRENDIZAGEM


O Brasil tem pouco a se orgulhar no “ranking internacional de generosidade, mensurado pela Charities Aid Foundation, CAF, com sede no Reino Unido, em parceria com o Instituto Gallup, o Brasil ficou em 76º lugar no ano de 2010 quando a Austrália e Nova Zelândia empataram em primeiro lugar,... e em 2012 Brasil caiu para 83º lugar.”.
Quem não aprende cooperar com a casa vai ter muita dificuldade em cooperar com a sociedade. Quando algo não funciona dentro de casa, a mãe é culpada. Quando algo não funciona na sociedade o governo é o culpado. Em todo o lugar que o julgamento indica a existência de um culpado, todos se tornam vítimas e ninguém precisa cooperar.
Vivemos a crise da epidemia das drogas. Em se tratando de uma epidemia, todos devem cooperar e agir... mas, esta atitude não está acontecendo. Já existem estatísticas indicando que os universitários são a parcela da população que mais consome droga. Quando o Brasil pensante de amanhã fica usuário de drogas hoje, como será o dia de amanhã?  Com quem poderemos contar?
É urgente que a cultura da cooperação seja implementada a partir de cada família para que na soma do esforço de cada um, ainda seja possível sonhar um novo Brasil amanhã.
A cooperação é a expressão prática do amor às pessoas, às causas, enfim à sociedade. A cooperação pode ser indicada no tratamento da depressão, do vazio da vida, das fugas irresponsáveis e de tantos outros males. Há muitas causas nobres a espera de cooperação. Creches, hospitais, em particular o hospital do câncer, asilos, comunidades terapêuticas, grupos de idosos, associação dos ostomizados e outras mais, os sindicatos, as associações de classe, as organizações esportivas, a pastoral das crianças e tantas outras... Os jovens que crescem cooperando encontram o sentido da vida e se tornam construtores de uma nova história.
Quem tem o que fazer não lhe sobra tempo para fazer apenas dos bares e boates o único ponto de encontro possível!  As verdadeiras e melhores amizades nascem e crescem em lugares de sobriedade, responsabilidade e verdadeira alegria. Fazer o bem faz bem.
Vamos continuar a conversa?

José Vanin Martins
Voluntário do Amor Exigente.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Plebiscito popular: para que?

Nós temos uma tendência doentia de resolver os problemas: passamos uma tinta para esconder as feridas. A rua está insegura? Vamos construir um muro ao redor da casa e colocar em cima uma boa cerca elétrica. Mas não tiramos as razões da violência. O deputado é corrupto? A condenação está na boca de todos, mas nas eleições ele continua sendo votado e eleito. No campo da política pública acontece o mesmo: em manifestações populares, pacíficas ou violentas, aparecem o descontentamento e a revolta, mas quando surge a possibilidade de sanar as feridas, os  “homens bons”, como eram chamados antigamente os que não trabalhavam manualmente e que   tinham terras e escravos, bloqueiam as reformas e o povo vai atrás. Oh! meu Brasil, quando vai acordar de verdade?  Há um ano atrás, movimentos de massa ensaiaram um protesto formidável. Até o governo da Dilma assustou e procurou responder ao clamor popular. No campo da saúde veio o plano “ mais médicos” hostilizado imediatamente pela elite do país. No campo político  veio a proposta de um plebiscito , logo afundada pelos deputados ligados a interesses econômicos ( bancada ruralista etc,...). Quando se acha um remédio, o doente foge! Mas, apesar de tudo, pelo bem da nação, não podemos desistir.  No dia 28 de Maio aconteceu no Centro Cultural Caravideo uma assembleia que discutiu a iniciativa de um plebiscito popular a ser realizado na semana da pátria ( 1 a 7 de setembro ) coincidindo com o Grito dos Excluídos. Os presentes decidiram apoiar a ideia de plebiscito como meio de pressão para que o parlamento execute a reforma política e marcaram outra assembleia, aberta a todos, no mesmo local, para o dia 25 de julho próximo. É uma tentativa de cortar o mal pela raiz. Não se trata simplesmente de uma reforma eleitoral, mas de gerar instrumentos para que o povo, verdadeiro dono do Brasil, comande o processo de renovação em todos os níveis. É verdade que circula no ar dos nossos dias um cheiro ruim de desesperança gerado pelo individualismo egoísta de cada um. Mas não podemos nos deixar vencer. O exemplo atualíssimo da “Copa” é um sinal que podemos mudar a situação. Eu gosto de futebol e, de todo o coração, torço pela seleção brasileira (apesar de ser italiano), mas sempre achei exagerado e quase irracional, o culto dos brasileiros pelo campeonato mundial: a nação praticamente para durante um mês e tudo é adiado “ para depois da copa”. Não aprovo os vândalos, bandidos que se acham civilizados, mas o movimento contra a “copa” está mudando o imaginário do povo brasileiro. O campeonato é um jogo e se a gente perder não será uma tragédia, não será o fim da vida e da honra do Brasil. Nós vamos vencer, é claro, mas, se perdermos, isso nos pode ajudar a cair na realidade e colocar a “copa” nos seus justos limites. Vamos, sim, trabalhar mais para sanar as feridas do país e não escondê-las com a tinta verde-amarela, lutando para melhores condições de saúde e transporte e, sobretudo, para o fim da desigualdade social. Devemos ser campeões, não somente no futebol, mas principalmente na justiça. sergiobernardoni@gmail.com

segunda-feira, 5 de maio de 2014

O PILOTO QUE VOOU PARA O CÉU ETERNO

Era o ano de 1972, no mês de julho, no período mais duro da ditatura militar. Era o tempo das prisões arbitrárias de leigos e de religiosos, tempo de torturas e de desaparecimentos de estudantes, de trabalhadores e de políticos da oposição. Eu tinha chegado ha poucos dias da Itália como missionário católico para a Paróquia de Bela Vista de Goiás. Ainda não falava direito o português, mas, entusiasmado pela missão, estava decidido a combater a ditatura militar e lutar pela libertação e os direitos dos pobres e dos perseguidos, em nome de Cristo.  Em torno da meia noite, eu estava já deitado, sozinho, na casa paroquial,  e alguém bateu com força na porta. Na hora fiquei preocupado: será que a polícia já vai me prender? Perguntei: quem é?  “Sou eu, dom Tomás, tive que descer por causa de uma emergência com o meu aviozinho e preciso ligar para Goiânia”. Era uma voz amiga e fiquei aliviado. Eu nunca tinha encontrado dom Tomás, mas ele não era pra mim desconhecido, porque na preparação  que fiz na Itália para vir ao Brasil, vários daqueles padres que nos davam aula de português ou de história e geografia, tinham trabalhado com ele na diocese de Goiás velho e conheciam muito bem as qualidades extraordinárias deste bispo comprometido com camponeses e índios e com os caminhos abertos pelo Concílio Vaticano Segundo de papa João XXIII. O avião  tinha sido um presente de uma diocese italiana que queria ajudar os contínuos deslocamentos pastorais de dom Tomás, sobretudo na Amazônia, para defender os índios contra os donos das armas, dos latifúndios e do poder. Eu conheci depois, mais profundamente, dom Tomás, um bispo humilde mas corajoso e sempre pronto a servir o povo e a igreja do povo, com a qual, mesmo aposentado, esteve ligado até o fim. Contam aqueles que estavam presentes nas ultima horas de sua vida ( morreu no dia 02 de Maio 2014 aos 91 anos de idade) que ele queria ter alta logo para poder participar da Assembleia dos Bispos do Brasil em Aparecida do Norte. Conforme a profecia que dizia que Jesus seria um sinal de contradição, dom Tomás também incomodava uma porção de gente pelas suas posições no campo social e no campo eclesial e este é um bom sinal. Papa Francisco falou assim uma vez: “ eu quero cristãos que incomodam “. O papa falando em  italiano  usou as palavras “ dar fastídio” que é muito mais do que “incomodar”. Aqui em Goiânia, pessoas de igreja, que hoje custam a digerir as diretrizes renovadoras de papa Francisco, criticavam dom Tomás. Uma  porção de pessoas da sociedade também criticavam dom Tomás (e criticam até hoje na internet), mesmo sabendo que Goiânia é campeã no Brasil na desigualdade social e que os latifundiários  impedem uma reforma agrária justa e igualitária, pelas sua posições de defesa dos direitos dos índios e dos sem terra.  Por isso eu quero assegurar o valoroso piloto que foi para o céu de Deus, que nós, aqui na terra, continuaremos a ”incomodar” a Igreja e a sociedade em vista do Reino de Deus.sergiobernardoni@gmail.com

quarta-feira, 30 de abril de 2014

UM SONHO (QUASE) IMPOSSÍVEL.

Com tantas gritarias de pregações bíblicas e com tantas exaltações na boca de padres e pastores de capítulos e versículos do Livro Sagrado e todo mundo jurando que a Palavra de Deus é a Luz e o Guia de sua vida e de sua Igreja, quase ninguém leva a sério o pedido de Jesus (que é uma ordem) sobre a unidade dos cristãos, no capítulo 17 de João: “Que todos sejam um”. Há muita gente no mundo que não aceita Jesus Cristo como Filho de Deus: os muçulmanos, as religiões orientais, os cultos afros, os ateus, os indiferentes etc... , são bilhões de pessoas que não são evangelizadas. E os cristãos que fazem? Brigam entre si esquecendo o mandamento de Jesus : “ides e evangelizais”, cada Igreja preocupada consigo mesma, arrecadando dízimos e escandalizando a multidão dos filhos de Deus que pedem luz e verdade. Porque Cristo não está dividido, mas a maneira como nós cristãos experienciamos a nossa fé em Cristo faz parecer que Ele está dividido.  É verdade que desde os primeiros tempos o diabo introduziu divisões entre os discípulos de Jesus: havia até problemas com a santa Ceia, pois os ricos não queriam comer do mesmo pão e beber do mesmo vinho que os pobres. Mas diante destas divisões o apóstolo Paulo tem a capacidade de não negar os conflitos, mas não desiste do sonho da unidade que Jesus quer: “ Eu não canso de agradecer a Deus por causa de vocês , em vista da Graça de Deus que lhes foi concedida em Jesus Cristo” ( 1 Cor 1,4.). Por isso acho bom apoiar a atividade de um pequeno grupo de cristãos de várias denominações religiosas que convida para a “Semana de oração pela Unidade dos Cristãos” na semana do dia 1º ao dia 8 de Junho 2014, com o lema: ”Acaso Cristo está dividido ?”(1 Cor.1-17). São previstas duas celebrações principais: uma de abertura no dia 02 de Junho, segunda feira, às 19 horas no Centro Cultural da Caravideo ( Rua 83 n.º 361 Setor Sul,fone 3218 6895)  e uma de encerramento no dia 08 de junho, domingo, às 9 horas da manhã, na Igreja Luterana ( rua 91, fone 32244633/99745733). sergiobernardoni@gmail.com

Grupo de Vivência Ecumênica de Goiânia - 2014


quarta-feira, 23 de abril de 2014

O nome do diabo


As recentes descobertas de sistemas de corrupção revelando as manobras de enriquecimento ilícito de políticos de todos os níveis, ligados notoriamente a alguma igreja, me trouxe à memória  um antigo problema religioso, muito debatido até hoje: a idolatria. Por causa das imagens  os católicos são tachados de “idólatras” pelos evangélicos. Jesus, no Evangelho, nunca fala contra ou a favor das imagens  mas  denuncia a presença do diabo na “mamona iniquitatis” (riquezas de origem iníqua: Lc 16.9) quando proclama que: “não se pode servir a dois senhores, a Deus e às riquezas” (Mt 6,24). O dinheiro é o dono do mundo, o ídolo que escraviza a humanidade. O diabo do dinheiro corrompia a classe sacerdotal no tempo de Jesus e armou a mão criminosa de Judas para entregar Jesus por trinta moedas. Em todos os tempos, e, principalmente hoje, o diabo do dinheiro atenta a sociedade civil e política contaminando, sorrateiramente, também as igrejas. Pelo dinheiro se fazem...até milagres e se fabricam adoradores de ídolos! Não são umas imagenzinhas de São José ou de Nossa Senhora que podem colocar em perigo a nossa fé em Jesus Cristo. Ídolo é a manobra aliciadora do proselitismo quando se procura engrandecer a  igreja  em lugar da glória de Deus; ídolo é o Dízimo quando é apresentado como obrigação consagrada e exigida por Deus e não como livre ato de solidariedade em favor dos irmãos;  ídolo é usar o poder religioso nas mãos dos padres, pastores e bispos que não deixam fortalecer a caminhada do povo de Deus;  ídolo é instrumentalizar o poder de cura para reduzir o povo de Deus a uma massa anestesiada e conseguir  lucros inestimáveis ; ídolo é falar no tempo das eleições que “irmão vota em irmão” ou que é necessário organizar no Parlamento “Bancadas” evangélicas ou ruralistas. Não te  incomoda o contínuo pedir dinheiro nas TV e Rádios religiosas e a construção de um número sempre maior de  novos templos? Será que Deus precisa de tantas e grandiosas igrejas? Contam que São Francisco quando viu os frades construindo um grande convento subiu no telhado e começou a jogar as telhas no chão. Fica aqui a incômoda pergunta: aonde andam os cristãos seguidores de um Jesus pobre, desarmado, sem teto, sem reserva de dinheiro e sem propriedades? Para terminar quero dar uma resposta a uma possível dúvida de muita gente:  porque a Bíblia tanto fala e tanto condena (tem até um mandamento) o culto das imagens? Eu pergunto qual Bíblia diz isto? Não é o Evangelho, não é Jesus: é o Antigo ( ou primeiro) Testamento. O Antigo Testamento recolhe a história do povo hebreu que vivia cercado por nações que adoravam imagens de madeira, de prata ou de ouro, como seres vivos e poderosos, como deuses. A tentação de imitá-los era tão grande para o povo de Deus, que chegou a enfurecer Moisés que quebrou as Tábuas da lei em cima do bezerro de ouro. A civilização dos “ídolos-imagens” da época do Antigo Testamento já passou e no seu lugar surgiu o carro de luxo, a mansão, a grande fazenda, a conta no Banco, a vaidade, o poder, o prazer...Podemos estar certos que a campanha contra as imagens  é uma artimanha do diabo  para desviar a atenção dos bons cristãos do verdadeiro “ídolo” que é o “mamona iniquitatis”, o diabo do dinheiro de origem iníqua.        sergiobernardoni@gmail.com

segunda-feira, 14 de abril de 2014

A CARNE FERIDA DE CRISTO


No sábado, 12 de abril. No Centro Cultural Caravideo,  aconteceu uma assembleia de formação sobre o Tráfico Humano, organizada pela CRB ( Conferência dos Religiosos do Brasil) e o  “Movimento: um grito pela vida!”. Na mesa estavam representantes de órgãos do Governo, inspetor da Polícia federal, de ONG , de departamentos de psicologia da PUC: público de umas cem pessoas. Eu estava lá dando uma força  representando a  Caravideo e fiquei impressionado pelos relatórios sobre a extensão e a crueldade do tráfico de pessoas: trabalho escravo, exploração sexual, venda de órgãos para transplante, tragédia das drogas. As várias exposições podiam ser comparadas a uma mão dura e implacável, que te pega pelo peito e te sacode até você cair no chão. Porque a sociedade não acorda? Porque os pais não abrem os olhos? Porque as autoridades  não agem? Porque este grito da igreja é destinado a enfraquecer e possivelmente desaparecer depois de terminado o período quaresmal da Campanha da Fraternidade? Em realidade o “Grito pela vida” da CRB  é uma das poucas iniciativas concretas na cidade de Goiânia. Me alegrei muito em ouvir, entre os expositores, a palavra de um pastor evangélico, presidente de uma ONG, porque o problema do tráfico humano deve ser enfrentado ecumenicamente, em conjunto com todas as forças vivas das igrejas e da sociedade. Reparem a força destas palavras de papa Francisco, pronunciadas há poucos dias, sobre o problema do tráfico humano: “...é necessário um gesto das igrejas e das pessoas de boa vontade, para gritar: Basta! O tráfico de seres humanos é uma chaga no corpo da humanidade, uma ferida na carne de Cristo, um crime contra a humanidade... desejamos estratégias e competência, coadjuvadas pela compaixão evangélica pelos homens e pelas mulheres vítimas de crime”( Roma 10/4/14)